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Ímã Foto Galeria entrevista Renan Cepeda

Olhar fotográfico, estudo da luz e Infravermelho, são alguns temas a serem abordados neste bate papo com o fotógrafo Renan Cepeda.


Rio de Janeiro: Vista Chinesa

por Carol Gherardi

“Sou mais amigo da imagem que fala por si.”, diz Renan Cepeda, fotógrafo nascido no Rio de Janeiro e habituado as belezas cariocas. Ainda era criança, Renan ganhou de seu pai sua primeira câmera fotográfica, uma Olympus Trip 35, com a qual começou a realizar os seus primeiros ensaios em preto e branco.

Quando questionado sobre o seu trabalho fotográfico desenvolvido, o fotógrafo procura pensar e construir imagens de uma forma incomum ou que ninguém tenha feito ainda. “Nessa construção utilizo recursos puramente fotográficos, mesmo quando uso câmera digital. Assim eu aprendi: expor corretamente e pensar fotograficamente” acrescenta o fotógrafo e diz que todos os efeitos de suas fotografias são obtidos no ato fotográfico, sem nenhum tipo de manipulação posterior.


Rio de Janeiro: Corcovado

Confira abaixo a entrevista com o fotógrafo Renan Cepada e concordando com o fotógrafo esta reportagem também fala por si.

Ímã- Como e quando foi o seu primeiro contato com fotografia?
Renan Cepeda- Meu pai era fotógrafo amador avançado, um autêntico fotoclubista. Foi membro da ABAF (assoc Bras. de Arte fotog.). Ele muitas vezes interditava o banheiro e varava madrugadas em suas experiências, ampliando fotografias em PB em alto contraste, recurso muito em voga nos anos 60/70.


Rio de Janeiro: Corcovado

Ímã- Você fotografa desde os 11 anos de idade, quais suas inspirações para fotografar?
R. C- Quando fiz 11 anos, meu pai me deu uma Olympus Trip 35, com a qual realizei meus primeiros ensaios em PB no Bairro de Santa Teresa onde ainda moro. Mas o que me fascinava eram as fotografias do staff do Jornal do Brasil, especialmente os flagrantes de esporte e política. Hoje gosto de paisagens atemporais do Rio e a experiência com light painting em casas rurais abandonadas.

Ímã- Quais são os seus grandes mestres em fotografia?
R. C- Os veteranos do JB, com os quais tive a felicidade de trabalhar, como Evandro Teixeira, Ari Gomes, Orlando Britto e Custódio Coimbra. Mas se há alguém de expressão mundial que sou eternamente fã, este é Eliott Erwitt. Ele têm o olhar jornalístico com extremo senso de humor. Não há ninguém mais refinado que ele.


Rio de Janeiro: Camboinhas

Ímã- Você estudou pintura e teoria da cor. Para você como esses estudos são aplicados às suas fotografias?
R. C- Foi um aprendizado com intenção de estudar arte de forma geral, nada que tivesse a priori que influir na fotografia que fazia.

Ímã- Renan, você trabalha bastante com infravermelho, por que utilizar esse método?
Como e quando você decidiu usar o infravermelho?
R. C- Estava em NY em 1992 e um amigo me deu um rolo de 35mm para experimentar. Me apaixonei pelo resultado. Trata-se de um filme que não grava luz visível e sim o espectro invisível da luz: a radiação infravermelha.
Os resultados conferem uma atmosfera onírica, de sonho. Quando comecei este filme era proibido no Brasil, exclusivo das forças armadas. Os filmes são muito caros e só se vende em NY. É uma dificuldade grande consegui-lo, pois temos que praticar um certo contrabandismo. Hoje eu já sei como fotografar infravermelho em digital... Mas sem manipulação, entenda-se bem.


Rio de Janeiro: Entre Baias

Ímã- O fotojornalismo foi o ponto de partida para a maioria dos fotógrafos. Como foi a sua experiência nessa fase?
R. C- O fotojornalismo foi minha grande escola, mais: minha faculdade de vida, meu serviço militar também...
Eu era um fotógrafo novato e entrei para o lugar em que sonhava um dia trabalhar, o JB, da forma mais romântica possível: oferecendo um flagrante inédito, que o editor de fotografia na época, Orlando Britto, publicou na primeira página. Foi um deslumbre para mim, pois ele me deu um estágio no jornal, que aproveitei e fui contratado meses depois. O JB tinha simplesmente a melhor redação do país nos anos 80, bem como um quadro genial de fotógrafos, referência internacional de fotojornalismo. Fazer parte e me afirmar neste grupo foi uma realização enorme.

Ímã- Renan, você é carioca e ainda reside no Rio? Como etá o movimento relacionados a fotografia no Rio de Janeiro, há alguma revelação? Você conhece os novo fotógrafos, alguém em especial merece destaque?
R. C- Sou carioca, nascido e criado em Sta Teresa, bairro boêmio e antigo, onde ainda moro. O movimento que rola aqui é na verdade uma extensão do que acontece no mundo todo: a fotografia adquiriu importância como obra de arte. Ao contrário de antes, quando o fotógrafo se formava como tal, aprendendo a revelar, ampliar, realizando trabalhos editoriais e/ou comerciais, para depois se dedicar a uma coisa mais autoral – hoje o cara já compra uma digital e se auto denomina “artista visual”.
Há também muitos artistas plásticos utilizando a fotografia como suporte conceitual dos seus trabalhos. A maioria não gosto, justamente pela falta de apuro fotográfico, tanto no olhar como na luz. São obras que necessitam quase sempre de um discurso por trás. Sou mais amigo da imagem que fala por si. Mas tenho certeza que isso é uma onda, as pessoas vão se saturar e aí somente aqueles que forem bons mesmo é que prevalecerão.


Rio de Janeiro: Palmeiras

Ímã- Qual seu recado aos novos fotógrafos?
R. C- Que não se iludam com editoração eletrônica de fotografia. Aprendam a expor corretamente, mesmo em digital. Tem fotógrafo à vera hoje por aí e só os clássicos, que sabem expor um fotossensível à luz é que serão valorizados. Isso vale para vídeo High Definition.
Em um futuro próximo o “momento decisivo” entrará em extinção. Apertaremos o REC realizando 30 quadros por segundo em alta resolução. Hoje você já pode comprar uma câmera de vídeo HD por US$1,5 mil.


Confira algumas fotos de Renan Cepeda na Ímã Foto Galeria
Galeria – Renan Cepeda